sexta-feira, 29 de abril de 2016

#ViradoNaJaqueira

Escola Municipal Dr. Maria do Carmo Vilaça
Data: 25 de Abril de 2016
Aluno bolsista: Jonatan Silva de Oliveira
Supervisor bolsista: Ednaldo
Turmas: 4º B e 2º C



Elaine e eu chegamos para mais um dia de aula na escola Maria do Carmo Vilaça.
Chegamos 13:10h, o dia que cheguei mais cedo até então, mas também fiquei sem almoçar pra conseguir dar tempo de chegar no horário.
Ao chegar fomos orientadas/os por funcionárias da cantina a ir pra uma sala próxima desse espaço que o professor Ednaldo estaria lá. Fomos e descobrimos que essa sala seria fixa das aulas de música, algo que é bem animador.
Na sala, no horário da turma 4º B, já tinham algumas crianças. Elas foram recebidas com um vídeo musical que não sei o estilo ou gênero, mas me pareceu algo celta.
As crianças chegaram bem agitadas, o que fez o professor Ednaldo, ao final do vídeo, ter que chamar a atenção das crianças sobre o entrar e ficar em silêncio para ouvirem a música.
Ednaldo começou a fazer perguntas simples sobre a música que estava tocando e recebeu respostas. Chegou a passar novamente a canção.
O professor passou um exercício de classe com perguntas sobre a canção “Semente do Amanhã”, música que as crianças vêm trabalhando com o canto. As perguntas levavam em seu conteúdo questões bem simples de responder e algumas questões mais filosóficas, abstratas, o que achei bem interessante. Nessa atividade algo bem marcante foi a agitação das crianças no momento da escrita, muitas conversavam bastante com as/os coleguinhas, principalmente no fundo da sala. Outra coisa bem marcante foi a dificuldade que muitas crianças têm de escrever, não só no registrar aqueles códigos no papel com caneta, ou lápis, mas de concentrarem no fazer escrever, logicamente que tinha uma minoria que ia pra frente rapidamente, mas a maioria tinha essa dificuldade.
Ainda sobre a escrita, umas quatro crianças, em especial, tinham uma dificuldade maior que a da maioria, de se concentrar ou de conseguir escrever com uma velocidade comum da turma. Problematizando esse espaço, percebi que dessas crianças, três, no meu ver, eram negras, onde dois eram meninos e duas eram meninas. Tinham, ainda, três crianças que fizeram as atividades bem rapidamente... problematizando, duas eram brancas e uma negra, onde dois eram meninos e uma era menina.
Considero importante colocar a raça e o gênero das crianças, porque são decisivos no processo social que leva muitas dessas crianças a passar maior ou menor dificuldade de aprendizagem que outras.
Ao longo da atividade eu e as/os outas/os bolsistas (Alaim e Elaine) fomos passando na mesa das crianças para acompanha-las no processo da escrita, tirarmos dúvidas. Nessas passagens eu incentivei muito as crianças a escrever, passando formas dinâmicas de escrever, pedindo concentração, respondendo perguntas. Muitas crianças tiveram dificuldade de interpretar as perguntas e a letra da canção, principalmente nas perguntas com um “ar” mais filosófico. Eu acabei ajudando-as bastante a refletirem sobre as questões e acabei aprendendo muito ao abrir esse espaço.
Ao longo do dia, algumas crianças ficaram falando bastante do meu cabelo (que é crespo) e da minha barba, muitas faziam piadas que reproduziam o preconceito que a sociedade tem com essa textura de cabelo que vem dos povos africanos que foram escravizados e forçados a trabalhar num ambiente totalmente distinto e distante do seu. Eu, que passo direto por isso nas escolinhas, levei numa boa, respondendo perguntas sobre meu cabelo, fazendo as crianças refletirem sobre o que elas diziam. No final da aula quase não falavam do meu cabelo e as crianças, talvez pela atenção que dei, ficaram bem empolgadas, algumas não queriam sair da sala ou ir merendar, porque queriam fazer o dever comigo ou assistir a aula de música da outra turma.
Percebo com isso que a atenção é algo muito importante, atenção à diversidade, a cada mundo que existe naquelas cabeças pensantes. Outra coisa é a importância de se trabalhar sobre o povo negro, porque, se na sala de aula a gente passa por esse tipo de preconceito, imagine na rua, em casa, na internet, na televisão, o que essas crianças, que são em sua maioria negras, passam?
Paralelo à atividade da escrita e resposta sobre a canção “Semente do Amanhã”, o professor Ednaldo foi fazendo um teste de registro vocal com as crianças, chamando uma por uma.

A próxima turma foi o 2º C. Foram recebidas/os com uma música relaxante.
Elaine puxou uma atividade onde fazia a escala de dó, desenhando-a no quadro em forma de escada que sobe e desce degraus. As crianças acompanharam direitinho, muitas foram chamadas pra ir ao quadro apontar as notas que eram cantadas por todas/os. Achei isso muito legal! Em um breve momento o professor Ednaldo saiu da sala para resolver algo que não comunicou a mim e logo retornou.
Após a atividade ministrada por Elaine a turma toda cantou a canção “Maria Fumaça”, formando inclusive uma roda e fazendo danças e movimentações dinâmicas. Foi uma atividade simples e legal.
Em outro momento, cantamos a música para o dia das mães, c/ uma coreografia bem bonita.
Percebi que o professor Ednaldo costuma dividir, pelo menos nas duas aulas que fui, em alguns momentos de ensaios de canções, a turma em meninos e meninas, o que não entendo o porquê, sendo que são crianças e as vozes são agudas, atingindo alturas próximas, além de possuírem timbres próximos. Imagino que talvez seja pra criar dinâmica, mas acho que pra criar dinâmica poderia simplesmente dividir a turma não por gênero, mas por lado da sala, assim não causaria essa divisão de homens e mulheres que direto é visto em nossa sociedade, muitas vezes causando competição entre os gêneros, onde a hegemonia patriarcal busca manter-se para continuar alimentando desigualdades de direito.
No final das atividades, Ednaldo passou um vídeo do grupo Palavra Cantada cantando a música “Bolinha de Sabão”. As crianças ficaram bem curiosas com o vídeo.

Foi um dia bem agitado. Foi bacana o contato que tive com as crianças, fui mais observador, fiz algumas reflexões... Pretendo na próxima aula contribuir mais e aprender mais.


Axé!

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