Data: 25 de Abril de 2016
Aluno bolsista: Jonatan Silva de Oliveira
Supervisor bolsista: Ednaldo
Turmas: 4º B e 2º C
Elaine e eu chegamos para mais um dia de aula na escola
Maria do Carmo Vilaça.
Chegamos 13:10h, o dia que cheguei mais cedo até então, mas
também fiquei sem almoçar pra conseguir dar tempo de chegar no horário.
Ao chegar fomos orientadas/os por funcionárias da cantina a
ir pra uma sala próxima desse espaço que o professor Ednaldo estaria lá. Fomos
e descobrimos que essa sala seria fixa das aulas de música, algo que é bem
animador.
Na sala, no horário da turma 4º B, já tinham algumas
crianças. Elas foram recebidas com um vídeo musical que não sei o estilo ou gênero,
mas me pareceu algo celta.
As crianças chegaram bem agitadas, o que fez o professor
Ednaldo, ao final do vídeo, ter que chamar a atenção das crianças sobre o
entrar e ficar em silêncio para ouvirem a música.
Ednaldo começou a fazer perguntas simples sobre a música que
estava tocando e recebeu respostas. Chegou a passar novamente a canção.
O professor passou um exercício de classe com perguntas
sobre a canção “Semente do Amanhã”, música que as crianças vêm trabalhando com
o canto. As perguntas levavam em seu conteúdo questões bem simples de responder
e algumas questões mais filosóficas, abstratas, o que achei bem interessante.
Nessa atividade algo bem marcante foi a agitação das crianças no momento da
escrita, muitas conversavam bastante com as/os coleguinhas, principalmente
no fundo da sala. Outra coisa bem marcante foi a dificuldade que muitas
crianças têm de escrever, não só no registrar aqueles códigos no papel com
caneta, ou lápis, mas de concentrarem no fazer escrever, logicamente que tinha uma
minoria que ia pra frente rapidamente, mas a maioria tinha essa dificuldade.
Ainda sobre a escrita, umas quatro crianças, em especial,
tinham uma dificuldade maior que a da maioria, de se concentrar ou de conseguir
escrever com uma velocidade comum da turma. Problematizando esse espaço,
percebi que dessas crianças, três, no meu ver, eram negras, onde dois eram
meninos e duas eram meninas. Tinham, ainda, três crianças que fizeram as
atividades bem rapidamente... problematizando, duas eram brancas e uma negra,
onde dois eram meninos e uma era menina.
Considero importante colocar a raça e o gênero das crianças,
porque são decisivos no processo social que leva muitas dessas crianças a
passar maior ou menor dificuldade de aprendizagem que outras.
Ao longo da atividade eu e as/os outas/os bolsistas (Alaim e
Elaine) fomos passando na mesa das crianças para acompanha-las no processo da
escrita, tirarmos dúvidas. Nessas passagens eu incentivei muito as crianças a
escrever, passando formas dinâmicas de escrever, pedindo concentração,
respondendo perguntas. Muitas crianças tiveram dificuldade de interpretar as
perguntas e a letra da canção, principalmente nas perguntas com um “ar” mais
filosófico. Eu acabei ajudando-as bastante a refletirem sobre as
questões e acabei aprendendo muito ao abrir esse espaço.
Ao longo do dia, algumas crianças ficaram falando bastante
do meu cabelo (que é crespo) e da minha barba, muitas faziam piadas que
reproduziam o preconceito que a sociedade tem com essa textura de cabelo que
vem dos povos africanos que foram escravizados e forçados a trabalhar num
ambiente totalmente distinto e distante do seu. Eu, que passo direto por isso
nas escolinhas, levei numa boa, respondendo perguntas sobre meu cabelo, fazendo
as crianças refletirem sobre o que elas diziam. No final da aula quase não
falavam do meu cabelo e as crianças, talvez pela atenção que dei, ficaram bem
empolgadas, algumas não queriam sair da sala ou ir merendar, porque queriam
fazer o dever comigo ou assistir a aula de música da outra turma.
Percebo com isso que a atenção é algo muito importante,
atenção à diversidade, a cada mundo que existe naquelas cabeças pensantes.
Outra coisa é a importância de se trabalhar sobre o povo negro, porque, se na
sala de aula a gente passa por esse tipo de preconceito, imagine na rua, em
casa, na internet, na televisão, o que essas crianças, que são em sua maioria
negras, passam?
Paralelo à atividade da escrita e resposta sobre a canção “Semente
do Amanhã”, o professor Ednaldo foi fazendo um teste de registro vocal com as
crianças, chamando uma por uma.
A próxima turma foi o 2º C. Foram recebidas/os com uma
música relaxante.
Elaine puxou uma atividade onde fazia a escala de dó,
desenhando-a no quadro em forma de escada que sobe e desce degraus. As crianças
acompanharam direitinho, muitas foram chamadas pra ir ao quadro apontar as
notas que eram cantadas por todas/os. Achei isso muito legal! Em um breve
momento o professor Ednaldo saiu da sala para resolver algo que não comunicou a
mim e logo retornou.
Após a atividade ministrada por Elaine a turma toda cantou a
canção “Maria Fumaça”, formando inclusive uma roda e fazendo danças e
movimentações dinâmicas. Foi uma atividade simples e legal.
Em outro momento, cantamos a música para o dia das mães, c/
uma coreografia bem bonita.
Percebi que o professor Ednaldo costuma dividir, pelo menos
nas duas aulas que fui, em alguns momentos de ensaios de canções, a turma em
meninos e meninas, o que não entendo o porquê, sendo que são crianças e as
vozes são agudas, atingindo alturas próximas, além de possuírem timbres
próximos. Imagino que talvez seja pra criar dinâmica, mas acho que pra criar
dinâmica poderia simplesmente dividir a turma não por gênero, mas por lado da
sala, assim não causaria essa divisão de homens e mulheres que direto é visto
em nossa sociedade, muitas vezes causando competição entre os gêneros, onde a hegemonia
patriarcal busca manter-se para continuar alimentando desigualdades de direito.
No final das atividades, Ednaldo passou um vídeo do grupo
Palavra Cantada cantando a música “Bolinha de Sabão”. As crianças ficaram bem
curiosas com o vídeo.
Foi um dia bem agitado. Foi bacana o contato que tive com as
crianças, fui mais observador, fiz algumas reflexões... Pretendo na próxima
aula contribuir mais e aprender mais.
Axé!
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