terça-feira, 30 de agosto de 2016

Deixa A Menina Tocar, Ô, Rapá!



Escola Municipal Parque São Cristóvão
Data: 24 de Agosto de 2016
Aluno bolsista: Jonatan Silva de Oliveira
Supervisor bolsista: Gilson
Turma: 5º ano



No dia 24 de Agosto de 2016, eu, Jonatan Silva de Oliveira, bolsista do PIBID Música, iniciei os trabalhos na Escola Parque São Cristóvão com a supervisão do professor de música da instituição, Gilson.

Foi um dia muito chuvoso e eu tive muita dificuldade para conseguir chegar na escola. Depois de muito banho de chuva, consegui chegar, um pouco atrasado.

A escola é muito bonita e grande, percebi um “ar” de organização muito bom. Vi algumas professoras negras com seus cabelos crespos lindíssimos, o que não era comum de se ver nas últimas escolas que passei através do PIBID. Isso me chamou a atenção pelo fato de cabelos crespo, em uma sociedade racista como a nossa, é sinônimo de força, luta, vontade de viver. Na escola, ainda, haviam cartazes sobre cabelos crespos, diversidade, enfim, percebe-se um trabalho de desconstrução de estereótipos de seres humanos felizes.


Ao chegar na sala de aula que estava ocorrendo as aulas de música, as crianças logo alarmaram a minha chegada me chamando de MC Livinho, que é um cantor de funk melody brasileiro. Elas me compararam com esse cantor por causa do meu bigode que tem formas próximas ao do funkeiro. Depois desse episódio mais nada ocorreu, o que me surpreendeu, porque nas outras escolas algo que pesava muito, principalmente nos primeiros contatos com as crianças, era a minha aparência, principalmente o cabelo black power. Nesse sentido, já percebi que as crianças já trabalham bastante com isso, o que é muito bacana porque nas outras escolas muito tempo eu tinha que parar só pra tentar descontruir pensamentos preconceituoso que as crianças reproduziam da sociedade e nessa já poderemos utilizar o tempo para avançar mais no tema da diversidade e valores humanos.


Na aula do professor Gilson, as crianças do quinto ano estavam espalhadas trabalhando a canção “Deixa O Menino Jogar” da banda de reggae Natiruts, seguindo a linha política que Gilson já vinha trabalhando, para uma apresentação no dia 31 de Agosto na escola.

A colega bolsista Alana já estava na sala trabalhando a voz das crianças para a apresentação.

Eu, rapidamente, me apresentei. Tive que falar no microfone, o que me causou um certo desconforto por estar com minha voz amplificada, mas com o tamanho da sala, a acústica que não ajuda, minha voz não foi embora no fim da tarde por causa do microfone mesmo.

Fui verificar o estado dos instrumentos da escola e, alguns, do próprio professor Gilson, e percebi que quase todos, se não todos, estavam danificados, seja o corpo do instrumento, as peles dos tambores ou as baquetas. Muitas das peles estão danificadas, provavelmente, por causa das baquetas que são de madeira e não possuem proteção de espuma, mas também por causa da falta de cuidado com os instrumentos coletivos que muitas crianças apresentaram ao tocar e deslocar os instrumentos.

Todo mundo começou a ensaiar. Ao ouvir a percussão, pedi licença para Gilson para intervir nas células rítmicas e estrutura da banda das crianças. Foi muito legal esse momento, porque as crianças ouvem bastante e também possuem muita facilidade para tocar percussão.

Haviam algumas meninas na frente ensaiando a parte coreográfica.

Terminamos o ensaio muito bem, ao meu ver. Avançamos muito, com certeza!
 
No final da aula, interagi com algumas crianças no corredor da escola e, ao retornar pra sala, tinha uma menina da turma que estava tocando percussão sozinha, eu perguntei pra ela o porquê dela não tocar na banda também, ela falou o que eu mais ou menos esperava: “os meninos não deixam, falam que é coisa de menino!”. Eu logo questionei essa fala machista que as crianças reproduzem da sociedade e falei com ela: “Não tem nada disso, percussão é coisa de menino e menina, se você quiser tocar você vai tocar e se algum menino questionar fale pra ele que eu que disse que é coisa de menina também.”.

Esse episódio foi muito importante porque penso que as meninas devem também estar nesse espaço de contato com os instrumentos musicais e os meninos com o da dança, que a gente pense nas aulas nesse formato de inverter os papéis impostos e criar nossa própria dinâmica.


Bem... foi uma experiência muito boa, tranquila. Espero que consigamos trabalhar bastante com todas/os. Aguardo ansioso pela apresentação.

Ao ir embora, gentilmente, por conta da chuva, o professor Gilson deixou eu e Alana em lugares melhores para chegarmos em casa em segurança. Só tenho a agradecer!



Axé!

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