quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Protesto Olodum, Um Cantar Politizado

Escola Municipal Padre José de Anchieta
Data: 29 de Setembro 2015
Por: Marisa Sales

                                         Protesto Olodum, Um Cantar Politizado

Hoje foi um dos melhores dias que já tivemos nessa escola, ao menos para mim.
Rodrigo e Renato trouxeram dois instrumentos novos para acrescentar ao conhecimento dos alunos.
Rodrigo levou o Sax, já tinha levado antes, mas não para as turmas que estamos trabalhando agora.
Após conversar sobre o instrumento, família, timbre, características físicas, ele tocou algumas escalas para que os alunos tivessem conhecimento da extensão sonora do instrumento. Renato também fez a mesma coisa com o Trombone. E perguntaram aos alunos quem consertava o Sax e o Trombone, mas já estão todos espertos e não caem mais nessa pegadinha. Com toda certeza é o Luthier. Os meninos finalizaram com um duo a tocar "Atirei o Pau no Gato". Ao terminarem foi a vez de ensaiarmos as músicas do repertório para a apresentação final. As horas já estavam avançadas e não deu para fazermos uma sequência de relaxamentos e aquecimento.  Aproveitamos os novos instrumentos e inserimos no ensaio. O coro ficou bem legal.

Mas, a melhor parte do dia de hoje aconteceu na sala do quarto ano.
Após os meninos apresentarem os instrumentos, falei sobre a nossa apresentação final e sobre o nosso repertório que inclui a música "Prostesto Olodum". Diferente do esperado, nenhum dos alunos conhecia a música. Então, escrevi a letra no quadro e perguntei para eles o que tudo aquilo significava. Observei que haviam muitos olhares curiosos e bastante receosos de fazer sugestões. Mas aos poucos todos falaram e mostraram que estão sabendo muito de história. Conversamos sobre Aphartaid, Nelson Mandela, Etiópia, Nordeste do Brasil, Pelourinho, Samba-Reggae, Olodum, Luta, Resistência, Desmound Tutu. Após entendermos a letra da música, aprendemos como cantá-la. Renato tocou o cajón, Isabela o violão, Rodrigo no teclado enquanto eu regia. Repetimos algumas vezes e foi lindo! Poderíamos repetir mais algumas e tenho a certeza de que sairia com a mesma força e a mesma beleza. Os meninos tinham conhecimento do que estavam cantando e foi possível sentir isso através dos acordes entoadas por cada um deles. Houve ali sentimento de união e muita resistência, era um cantar politizado. Saí daquela escola apaixonada pelo trabalho, esperançosa e com a certeza de que mais uma semente irá florescer.

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