quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Entre a vontade e o desdém

Escola Padre José de Anchieta 
Data da postagem 28/10
Data da vivência: 26/10
Por Caíque Veloso 


Entre a vontade e o desdém 

Olá amigos pibidianos, pra quem não me conhece eu sou o Caíque! Brincadeirinha...
Peço desculpa aos leitores que acompanham as minhas postagens e confesso que não estava postando, pois de lá pra cá tiveram tantas coisas como,  por exemplo,  a pró Isabela que estava com o dedo machucado e não estava podendo ir à escola , a semana da criança com atividades diferenciadas na escola com direito a um lanche especial e o seminário interno da nossa família PIBID. Até os alunos sentiram minha falta na escola e alguns ficaram muito felizes e inclusive me encheram de abraços.
Desta vez minha interação com as turmas foi na terça-feira dia 27/10. 
Começamos com a turma do 5º ano e já cheguei na sala e encontrei todo mundo em pé fazendo uma atividade com o bolsista Renato.  Era uma atividade baseada nos princípios do método O passo, porém, para os alunos, como é uma atividade que exige o ficar de pé para ser executada, eles pensam que são atividades da área de dança e até nos perguntam se é aula de dança ou de música professor? Não sabendo eles que tem tudo a ver com a música, a marcação do tempo com os pés, a batida de palmas nos quatro tempos ou no contratempo e o andamento pra ninguém começar lento e terminar na velocidade da luz.

Quando Renato terminou de aplicar sua atividade com a turma, a mesma foi dividida pela professora Isabela, pois alguns alunos ficariam na sala e os outros iam seguir com os bolsistas Marisa e Rodrigo para a sala de informática ensaiar para a apresentação no dia da consciência humana, ops! Quis dizer negra. Enfim, ficaram dez alunos na sala, e eu, com muita vontade de aplicar a atividade, perguntei que estava a fim de fazer comigo e participar? Logo dois levantaram as mãos. 




O que eu percebo é que como a seleção de alunos foi feita de uma forma que os mais perturbados, ou seja, aqueles que não têm a mínima condição de ir, ou porque que estão na sala, mas não estão,  inteiramente, ou porque não querem mesmo por algum motivo participar da apresentação. E ai aqueles que no fundo queriam até ir, mas pelo mau comportamento não foram e acabam ficando desestimulados na sala e com inveja dos que foram e pensam assim: ah, já que eu não vou apresentar, porque devo fazer isso que o professor me propõe? Não tem lógica no raciocínio deles, mas mesmo assim eles não devem e nem podem ficar parados esperando os outros voltarem, de jeito nenhum. Então, tentei propor uma atividade, mas percebi que a maioria não tava muito a fim, e ai perguntei mais uma vez e só dois levantaram as mãos e os outros já estavam começando a mostrar as asinhas de aluno rebelde e mau criado. 
Tem uma aluna que inclusive já falei dela muitas vezes em meus relatos e ela estava na sala como de costume tentando atrapalhar e derrubar com uma rasteira a proposta do professor.  Ela é do tipo aquela que governa a turma, ou seja, ela começa a promover o motim e uma parte da turma a segue e ai mais complicado para o professor fica. Eu como sou direto com os alunos e converso bastante com eles, procuro não intimidá-los e sim ganha-los de alguma forma, mas tem hora que tudo tem limites, até porque você sai de casa com o intuito de compartilhar um pouco do que você tem aprendido com os alunos e ai esse indivíduo chega à sala e nem consegue falar ou aplicar sua atividade... Ai paciência.
 Já vou diretamente falando pra eles que o que eu ia ensinar, eu já sabia, e só estava querendo compartilhar com eles, mas como diz minha vó: quando um não quer dois não briga!
Eu não apliquei, infelizmente, só deu tempo de conversar com eles com aqueles velhos conselhos de sempre.  Pedi para cada um fazer uma revisão de seu comportamento e vê o que de errado está acontecendo.  Mas ali já tinha dado como finalizada a aula, às vezes, não temos outra opção, é sentar e conversar e saber o que está havendo. Depois que a professora chegou  novamente na sala ai que eles acalmaram um pouco mais. Eu sou daqueles que não forço a barra, se eu vejo que dá para ir em frente eu vou, caso contrário nem perco meu tempo indo para um caminho que sei que não me levará a nada, pois será perda de tempo. Então, primeiramente procuro perceber se estou caminhando no caminho certo e ai vou caminhando pelos atalhos que me levam mais rapidamente aonde quero chegar.


Na turma do 3º ano, encontrei umas pessoinhas bem agitadinhas e com vontade de aprender, por mais que traquinos, os alunos dessa turma vão cheios de vontade , então, porque não aproveitar isso? Vamos lá!
Ensinei uma canção pra eles que aprendi nos meus momentos de musicalização e ai foi assim: eu falo e vocês repetem. Eita método que dá certo...
Todo mundo depois que aprendeu a letra, fez uma quadratura utilizando-se dos pés, palmadas, palmas e estalos de dedo para executar de acordo ao tempo da canção cuja letra era assim:


Era um dia de manhã, de manhã, de manhã
Quando eu te encontrei, eu te encontrei
Teu sorriso eu vi, eu vi, eu vi, eu vi, eu vi
Foi o sol que iluminou, iluminou!


Em seguida, dividi a turma em duas partes, pois uma parte iria cantar e a outra responder como, por exemplo:

(pergunta) Era um dia de manhã
De manhã, de manhã (resposta)

E depois troquei quem perguntava agora teria de responder, e explorei também com essa canção outros aspectos musicais como, por exemplo: cantar batendo só palmas marcando com precisão as frases rítmicas, cantar com (lá, lá, lá) etc. O legal foi ver a turma pedir BIS! Sinal que deu muito certo a aplicação dessa atividade.


No 4ºano, essa turma também está dividida, pois uma parte segue com o bolsista Renato para a aula de flauta e a outra, tipo uns 11 alunos ficam na sala para continuar a aula de música. Tem alunos nesta sala que eu acho que eles vão pela misericórdia de Deus a escola, pois estão sempre cansados e com pouca disposição e eu também não sei o que andam fazendo fora da escola e muito menos de onde estão vindo pra ter mais ou menos uma ideia de onde vem tanto cansaço. Enfim... Apliquei até aquela canção com o intuito de deixa-la ainda mais complexa com a turma, mas esses alunos que estavam tão cansados que nem segui em frente depois de ter ensinado a letra e ai a bolsista Marisa seguiu fazendo uma revisão dos assuntos de teoria musical como, por exemplo, notação musical.  Fiquei surpreso, pois os alunos da última vez que apliquei uma atividade de notação e inclusive eu e o Sidney nós tínhamos deixado eles afilhadinhos e, de repente, não sabiam nem mais onde era que ficava a clave e muito menos pra que servia.  

Na última turma do 4º ano, os alunos só ensaiaram para a apresentação e a partir daí dá para trabalhar muitas coisas com eles, pois alguns alunos tocam e cantam muito bem nesta turma. Só precisam de um pouco de educação musical para cantar e tocar muito melhor.  

Quatro meninos foram selecionados para acompanhar com os instrumentos de percussão outra parte da turma que vai cantar. Então, o problema é seguinte: eles tocam, mas não sabem tocar fraco e muito menos ouvir o que estão tocando e saem entupindo tudo e descendo a mão no instrumento.  
E o educador musical aonde entra nessa  história? Ah, ele é fundamental pra te ensinar como tirar melhor o som do instrumento, te orientar no tempo da música para não correr e atropelar o que você está acompanhando e também 


te passar os sinais de regência para saber aonde que você irá entrar fazendo algumas convenções, e até mesmo partes da música que você deverá responder ou fazer silêncio com seu instrumento. Esse foi o meu papel com esses meninos orientando-os para que apresentação além de bonita -  pois sei que vai ser linda - , mas que também a partir dos ensaios os alunos possam aprender alguma coisa e não só meramente sentar para cantar ou tocar um instrumento.  Eu achei muito produtivo esse ensaio e confesso que a turma está evoluindo de maneira absurda em diversos aspectos. 


Esta turma de todas, é a que aprende mais rápido as canções que eu levo ou as atividades que eu proponho, ou seja, aplicação de todas as minhas propostas dão muito certo nesta turma.  E eu fico feliz com este resultado da turma e é um sinal de que estamos caminhando corretamente, rumo á evolução. De acordo com (SALGADO, 2000, p. 20), O professor aprende com a própria prática, na medida em que toma consciência de suas ações, e reflete a respeito delas e de seus efeitos sobre os alunos, sobre a escola e sobre ele mesmo.

Um forte abraço a todos e até a próxima vivência!



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