CEAC César Borges.
Danilo Marins.
Ao chegar no CEAC César Borges e cumprimentar algumas
crianças que estavam na entrada, percebi que o comportamento era bem diferente
das escolas em que estive como bolsista anteriormente. Na medida em que fui
adentrando o centro percebi o clima harmônico entre professores e alunos que parecem
mergulhados nas atividades do dia, já perguntando aos professores o que vai ser
feito e logo se movimentam em prol daquilo que irá acontecer. O Centro oferece
Aulas de música, dança, karate, capoeira e ginástica rítmica. Cada aluno matriculado
cursa uma dessas.
Na primeira aula de música, o professor Laécio deu
continuidade ao ensino de flauta doce para um grupo com faixa etária entre 6 e
8 anos onde explicou sobre a importância da higienização do instrumento antes
de tocar, posteriormente relembrando posições das notas, abordando um pouco da
construção do instrumento e pedindo que cada um tocasse livremente sua música
com as notas que soubessem, isso fez com que alguns alunos mais tímidos se
soltassem no manuseio do instrumento. Posteriormente o professor introduziu um
pouco da teoria com as notas de mais fácil digitação. Também atentando para
questões como a sutileza do sopro. O professor sempre está atento para o que os
alunos estão falando em sala de aula e esclarecendo seus questionamentos com
foco na formação do indivíduo como um todo. Então após a aula um pequeno
intervalo, e depois retomamos as atividades com outras turmas.
Nesse segundo momento tivemos alunos de diferentes
faixas etárias, adolescentes, senhores e senhoras, pois o centro oferece aulas
para todos os públicos da comunidade. Ao meu ver isso faz como que a interação
com todos da comunidade gere um respeito recíproco. Então neste momento tive a
oportunidade de ensinar um pouco de flauta doce para um grupo de senhoras e
senhores, que estão iniciando no instrumento. Eu também estou aprendendo o
instrumento e assistir a aula anterior do professor Laécio também me deu
ferramentas para passar um pouco do que sei da flauta doce. Percebi algumas
questões nesse momento de troca de saberes com essas pessoas; como o
instrumento requer um sopro mais controlado e pra quem está iniciando é um
pouco difícil, penso em levar alguns exercícios de respiração, alongamento e
coisas que fazem parte do processo de aprendizagem do instrumento e espero
contribuir para esse caminhar.
Após duas semanas sem aula no centro, por causa de uma
paralização e um feriado, eu retornei no dia em que estava acontecendo o Sarau,
momento em que professores e alunos se reúnem no auditório para apresentar um
pouco do que eles aprendem nas aulas. Todas as artes citadas a cima se
apresentaram e deram um show todas elas. Nas de música alunos se apresentaram
em duplas e trios e também com o acompanhamento do professor Laécio. O
repertório variou desde canções simples executadas por crianças até trios de
voz, violão e bateria. Esse lado do trabalho voltado para a performance
direciona os alunos, mesmo aqueles que não seguirão como músicos profissionais,
para saberem lidar com as demandas das relações e necessidades sociais. Neste
evento pude perceber mais amplamente a função da arte na formação do cidadão.
Pude ver em cada detalhe do evento, na interação dos participantes, na
organização, no empenho de cada aluno em fazer seu papel com responsabilidade
para que o evento e cada apresentação fosse oferecida ao público com qualidade,
no comportamento de cada um o quanto um ambiente que respira arte parece fazer
seu papel educacional por si só.
Neste momento em que o programa de iniciação à
docência (PIBID) conta seus dias para uma triste modificação na qual diversos
professores em formação de diversas áreas como é o caso das artes, ficarão sem
a oportunidade de experiências como a que vivencio neste momento e que me traz
conhecimento e reflexões para melhoria da minha formação enquanto educador, é
realmente lamentável. Mas tenhamos a certeza que a arte continuará fazendo seu
papel mesmo quando seu merecido valor for retirado.
“Por que a vida cultural e a cultura vital
não são compreendidas como polos prioritários, de cujo espaço e tensões a
qualidade-eu de nossa existência pode enriquecer-se? ” Hans Günther
Bastian.
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