terça-feira, 3 de maio de 2016

Um verdadeiro Show!

CEAC César Borges.
Danilo Marins.

Ao chegar no CEAC César Borges e cumprimentar algumas crianças que estavam na entrada, percebi que o comportamento era bem diferente das escolas em que estive como bolsista anteriormente. Na medida em que fui adentrando o centro percebi o clima harmônico entre professores e alunos que parecem mergulhados nas atividades do dia, já perguntando aos professores o que vai ser feito e logo se movimentam em prol daquilo que irá acontecer. O Centro oferece Aulas de música, dança, karate, capoeira e ginástica rítmica. Cada aluno matriculado cursa uma dessas.

Na primeira aula de música, o professor Laécio deu continuidade ao ensino de flauta doce para um grupo com faixa etária entre 6 e 8 anos onde explicou sobre a importância da higienização do instrumento antes de tocar, posteriormente relembrando posições das notas, abordando um pouco da construção do instrumento e pedindo que cada um tocasse livremente sua música com as notas que soubessem, isso fez com que alguns alunos mais tímidos se soltassem no manuseio do instrumento. Posteriormente o professor introduziu um pouco da teoria com as notas de mais fácil digitação. Também atentando para questões como a sutileza do sopro. O professor sempre está atento para o que os alunos estão falando em sala de aula e esclarecendo seus questionamentos com foco na formação do indivíduo como um todo. Então após a aula um pequeno intervalo, e depois retomamos as atividades com outras turmas.

Nesse segundo momento tivemos alunos de diferentes faixas etárias, adolescentes, senhores e senhoras, pois o centro oferece aulas para todos os públicos da comunidade. Ao meu ver isso faz como que a interação com todos da comunidade gere um respeito recíproco. Então neste momento tive a oportunidade de ensinar um pouco de flauta doce para um grupo de senhoras e senhores, que estão iniciando no instrumento. Eu também estou aprendendo o instrumento e assistir a aula anterior do professor Laécio também me deu ferramentas para passar um pouco do que sei da flauta doce. Percebi algumas questões nesse momento de troca de saberes com essas pessoas; como o instrumento requer um sopro mais controlado e pra quem está iniciando é um pouco difícil, penso em levar alguns exercícios de respiração, alongamento e coisas que fazem parte do processo de aprendizagem do instrumento e espero contribuir para esse caminhar.

Após duas semanas sem aula no centro, por causa de uma paralização e um feriado, eu retornei no dia em que estava acontecendo o Sarau, momento em que professores e alunos se reúnem no auditório para apresentar um pouco do que eles aprendem nas aulas. Todas as artes citadas a cima se apresentaram e deram um show todas elas. Nas de música alunos se apresentaram em duplas e trios e também com o acompanhamento do professor Laécio. O repertório variou desde canções simples executadas por crianças até trios de voz, violão e bateria. Esse lado do trabalho voltado para a performance direciona os alunos, mesmo aqueles que não seguirão como músicos profissionais, para saberem lidar com as demandas das relações e necessidades sociais. Neste evento pude perceber mais amplamente a função da arte na formação do cidadão. Pude ver em cada detalhe do evento, na interação dos participantes, na organização, no empenho de cada aluno em fazer seu papel com responsabilidade para que o evento e cada apresentação fosse oferecida ao público com qualidade, no comportamento de cada um o quanto um ambiente que respira arte parece fazer seu papel educacional por si só.

Neste momento em que o programa de iniciação à docência (PIBID) conta seus dias para uma triste modificação na qual diversos professores em formação de diversas áreas como é o caso das artes, ficarão sem a oportunidade de experiências como a que vivencio neste momento e que me traz conhecimento e reflexões para melhoria da minha formação enquanto educador, é realmente lamentável. Mas tenhamos a certeza que a arte continuará fazendo seu papel mesmo quando seu merecido valor for retirado.
“Por que a vida cultural e a cultura vital não são compreendidas como polos prioritários, de cujo espaço e tensões a qualidade-eu de nossa existência pode enriquecer-se? ” Hans Günther Bastian.

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